Ícone do site Dr. Ricardo Lacerda

O que fazer quando se precisa de uma cirurgia e está usando anticoagulantes

Um grande desafio durante o uso de anticoagulantes é quando surge a necessidade de ser submetido a uma cirurgia ou procedimento.

O que fazer quando se precisa de uma cirurgia e está usando anticoagulantes
Instruções práticas para quem usa anticoagulantes
Varizes e Trombose – Semelhanças
Varizes e Trombose – Diferenças
Conheça as Principais Condições que Determinam as Doenças Circulatórias

É muito importante que você alinhe o período de interrupção do uso do anticoagulante com pelo menos 2 médicos: 

  1. O que irá realizar seu procedimento + 
  2. O que conduz o seu uso do anticoagulante.

Comumente, o médico que fará a cirurgia pedirá uma avaliação de risco para aquele que conduz sua anticoagulação. O ideal é que o primeiro descreva no pedido de avaliação qual será o procedimento previsto juntamente com o risco de sangramento associado a ele. E que também sinalize se há possibilidade de adiar a cirurgia para depois de 3 meses ou se é necessário realizá-la o mais rapidamente possível.

A definição da interrupção do uso do anticoagulante para procedimentos e cirurgias leva em consideração 2 condições: o risco de ocorrerem complicações relacionadas à suspensão do remédio versus o risco de sangramentos piorados pelo reinício do uso do anticoagulante.

Por segurança, para quem está em tratamento de trombose venosa ou embolia pulmonar, consideramos alto risco de complicações relacionadas à suspensão do remédio, uma chance > 10% ao mês de ocorrência de um novo evento. E, alto risco de sangramento é uma chance > 2% de ocorrer uma hemorragia grave ou fatal nos 30 dias seguintes à cirurgia.

Portanto, se os riscos são classificados como moderados ou baixos, as chances de complicações são bem raras – (menos que 10% para tromboses/embolias e menos que 2% para sangramentos).

Existem antídotos diretos e indiretos que anulam rapidamente a ação das medicações anticoagulantes.

Mas só se justifica a utilização deles em situações de emergências como surgimento de hemorragias internas em órgãos nobres – como o cérebro, coluna e olhos – ou em regiões de difícil controle – como hemorragias digestivas ou causadas por acidentes graves.

Felizmente, na maioria dos casos, a interrupção das medicações anticoagulantes, medidas de controle do sangramento e reposição parcial do sangue perdido são suficientes para lidar com hemorragias na vigência do uso destes remédios.

Antídotos não devem ser usados como preparação para cirurgias programadas.

Uma prática antiga, principalmente quando a varfarina era a única medicação anticoagulante disponível, era a utilização de heparina – em injeções subcutâneas ou na veia – nos 5 a 7 dias anteriores à cirurgia, em que o paciente ficava sem usar a varfarina.

Essa estratégia é chamada de “ponte de heparina”. 

Atualmente está bem estabelecido que essa “ponte” é prejudicial na maioria dos casos quando comparada com a interrupção isolada do comprimido de anticoagulante, especialmente quando estamos falando de tratamento de trombose venosa e embolia pulmonar.

Mas, em casos especiais, a “ponte de heparina” é benéfica e necessária, como numa doença chamada SAAF (Síndrome do Anticorpo AntiFosfolípide) triplo-positivo que causa trombose venosa em mulheres jovens. Outros motivos para anticoagulação não relacionadas à trombose venosa também requerem o uso da “ponte”. 

Nunca! De maneira nenhuma interrompa ou retome o uso de anticoagulantes por conta própria.

As complicações causadas pelo mau uso dos remédios anticoagulantes podem ser graves e até fatais.

Não corra esse risco. 

Faça sempre uso com acompanhamento de um médico especializado.

Precisa de instruções sobre os anticoagulantes que está usando?

Agende uma consulta ou teleconsulta o mais brevemente possível.

Última atualização em:




Sair da versão mobile