Como Evitar Degenerações da Fístula
Degeneração é o aumento do calibre com formação de saculações (calombos) ao longo da veia da fístula.
Na grande maioria das vezes é possível evitar a degeneração, mas os cuidados para isso devem ser contínuos.
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O cuidado com as punções (colocações das agulhas) é imprescindível para conseguirmos evitar a degeneração da veia da fístula.
Os tipos das punções que melhor evitam que as fístulas degenerem são:
▪️ Sequencial ou Rope-Ladder (tradução= escada de corda)
▪️ Isolada ou Button-Hole (tradução= casa de botão)
O tipo sequencial é feito afastando-se a nova punção a 1cm das 5 punções anteriores.
Isto dá tempo de a veia cicatrizar adequadamente naquele local, que só será puncionado novamente 2 semanas depois.
O tipo sequencial é o que menos causa problemas para a fístula a longo prazo.
O tipo isolado é feito puncionando o mesmo local sempre, mantendo a mesma angulação da agulha, até formar um trajeto de cicatriz entre a pele e a veia, que permite a colocação de agulhas especiais.
O principal cuidado para evitar a degeneração da fístula é evitar fazer as punções agrupadas muito próximas entre si.
Puncionando a veia em locais próximos 3 vezes por semana não permite que a veia cicatrize adequadamente, provoca o enfraquecimento de sua parede com a consequente dilatação do local.
Em próteses, as punções agrupadas não dão tempo para o organismo “colar” o furo na prótese com cicatriz.
Os pequenos furos terminam se unindo e formando um rasgo na prótese, permitindo o vazamento contido de sangue entre a pele e a prótese, que provoca a temida degeneração.
O método de punções sequenciais é o mais indicado para a maioria dos pacientes, mas para ser realizado completamente, deve haver uma extensão de aproximadamente 10 a 12cm de veia da fístula para ser puncionada.
A cada sessão se punciona a fístula em pontos diferentes (pelo menos 1cm de distância das punções anteriores), voltando ao local da 1ª punção somente 5 a 6 sessões depois.
Essa variação dos locais dos furos que as agulhas causam, retornando somente 2 semanas depois ao local inicial, permite que o organismo cicatrize com mais eficiência, diminuindo a chance de enfraquecimento da veia e degeneração da fístula.
Para fazer o tipo isolado (Button-Hole), as punções devem ser realizadas exatamente no mesmo local, com a mesma angulação, e de preferência pela mesma pessoa, para evitar alterações no trajeto da agulha.
Os cascões que se formam no local da punção devem ser retirados superficialmente antes da nova punção.
Esse mesmo local sendo puncionado repetidamente forma uma cicatriz diferente, que parece um umbigo na pele, junto com um túnel desde o umbigo até a veia.
Após 6 a 10 sessões, está formado o Button-Hole, e as punções ficam bem fáceis, permitindo o uso de agulhas especiais, que são menos afiadas que as convencionais.
A dor da picada também diminui muito.
Esta técnica isolada parece causar mais degeneração da fístula do que a sequencial, mas ainda é numa taxa baixa. E é muito útil quando a área de punção da fístula é curta demais para realizar a técnica sequencial.
Existem vários motivos para as fístulas ficarem curtas, e cada caso deve ser analisado criteriosamente, para que tomemos as melhores decisões para “alongar” a fístula.
Colocar um garrote no momento da punção, intensificar os exercícios no braço da fístula e emagrecer fazem com a veia fique mais perceptível, aumentando o comprimento da área possível de puncionar.
Prefira fazer punções do tipo isolado (Button-hole) em uma das vias (arterial ou venosa), ou até mesmo nas duas. Isso poupa bastante espaço de punção.
Agende uma consulta – algumas fístulas podem ser “alongadas” com tratamentos sem cortes ou com cortes bem pequenos, e outras só precisam ser mapeadas com ultrassom e feita a marcação para direcionar as punções.
No passado era comum girar a agulha depois de realizada a punção e antes de fixar com a fita adesiva. Atualmente não devemos fazer mais isso.
Essa rotação da agulha tende a colocar a ponta cortante da agulha mais em contato com a veia da fístula, podendo feri-la durante a sessão de hemodiálise.
Esses “ferimentos” na veia causam enfraquecimento e dilatação do local, com consequente degeneração da fístula. Também favorece sangramentos e infiltrações.
Fístulas que sangram forte após a retirada das agulhas, ou quando é preciso manter os curativos por mais de 1 hora depois do fim da diálise, são sinais de que a fístula está com um risco maior de degeneração.

Além do cuidado nas punções, a outra atitude mais importante para prevenir a degeneração da fístula é a vigilância regular com duplex-scan (o ultrassom com Doppler).
Com o passar do tempo, o organismo vai formando cicatrizes internas na veia da fístula, que podem represar a passagem do sangue, aumentando a pressão do sangue dentro da veia.
Se a veia ficar com esta pressão aumentada por muitas semanas, ela tende a dilatar e alongar, formando aquelas fístulas que ficam muito desconfortáveis esteticamente.
Com o duplex-scan conseguimos detectar os estreitamentos causados pelas cicatrizes internas antes que a veia da fístula degenere.
Lembre-se: Agende uma consulta de vigilância da fístula a cada 3 meses.
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