Convivendo com a Fístula para Hemodiálise
Aproximadamente 90% das fístulas para hemodiálise precisarão regularmente de procedimentos para manter seu funcionamento adequado, e negligenciar esse cuidado pode levar a diálises insuficientes e até a perda da fístula.
Preserve suas veias
O que é hemodiálise?
O que são as Fístulas ArterioVenosas?
Quais são os tipos de fístulas para hemodiálise?
Como evitar degenerações da fístula?
O que fazer quando ocorre uma infiltração na fístula?
Como diminuir o risco de infecção numa fístula arteriovenosa
Conselhos para manter uma boa fístula para hemodiálise
Convivendo com a fístula para hemodiálise
Estreitamento das veias centrais – reconheça e saiba como tratar
Felizmente, esses procedimentos são de baixo risco, e conseguimos realizá-los, na sua maioria, através de pequenos furos na pele e guiados por raios-X.

Os procedimentos de manutenção mais comumente realizados são as angioplastias.
Elas servem para dilatar os estreitamentos que o próprio organismo vai criando por dentro das fístulas para hemodiálise. Estes estreitamentos é que fazem a fístula apresentar problemas de funcionamento.
Com as ferramentas que dispomos atualmente, apesar de conseguirmos desfazer esses estreitamentos com bastante facilidade, não conseguimos um efeito duradouro.
É considerado mundialmente que a duração média do efeito das dilatações seja de 6 meses. Ou seja, em média, as fístulas precisarão de angioplastias 2 vezes ao ano.

Como atualmente há uma necessidade média de 2 intervenções por ano na fístula para que ela permaneça nas melhores condições de funcionamento, é prudente que façamos pelo menos uma consulta de vigilância entre essas intervenções.

Por isso, programar consultas de vigilância a cada 3 (três) meses é a melhor estratégia para evitarmos surpresas com a fístula, como piora da qualidade das diálises, degeneração da veia da fístula ou até uma trombose completa dela.
Toda pessoa que tem uma fístula para hemodiálise deve manter o hábito de sentir o frêmito ao longo de toda a veia da fístula.

Inicialmente parece algo que não faz muito sentido, já que a maioria das pessoas que fazem diálise não trabalha na área da saúde, e já tem profissionais avaliando a fístula frequentemente.
Mas, com o passar do tempo, pelo fato de estar em contato diariamente com a fístula, a própria pessoa consegue notar alterações da força do frêmito ou aumento da pressão na veia, que são sinais de que a fístula pode estar desenvolvendo algum problema.
As consultas de vigilância são os momentos ideais para esclarecer dúvidas e apontar as alterações notadas, o que ajuda muito na detecção de problemas na fístula.
Todos devem buscar a rotação das punções na fístula.
O cuidado com as punções da fístula nas sessões de hemodiálise é uma condição muito importante para evitar a degeneração da veia e formação dos aneurismas – aqueles “calombos” que vão surgindo e causam muito incômodo, principalmente estético.

Quando as punções são rotacionadas, que é a melhor maneira de prevenir a formação dos aneurismas, aos poucos vai se formando um pontilhado de cicatrizes ao longo da veia da fístula.
Esse pontilhado ajuda a fixar a veia da fístula em relação à pele, facilitando mais ainda a rotação das punções seguintes, e evitando a formação dos aneurismas.
As punções agrupadas são a pior estratégia de uso da fístula.

As picadas repetidas numa mesma região causam enfraquecimento da veia da fístula no local, em conjunto com um risco maior de a ponta da agulha “irritar” a parte interna da veia, causando estreitamentos reativos.
Essas duas condições causam a formação dos aneurismas de punção, que tanto chamam a atenção das pessoas.
Os aneurismas tornam aquele local mais fácil de ser puncionado, estimulando inconscientemente que se continue puncionando neste mesmo local, e, como uma bola de neve, cada vez mais aumente o tamanho do aneurisma.
As punções agrupadas ou aglomeradas devem ser sempre evitadas.
Outra avaliação simples e muito importante para detectar um problema comum da fístula é levantar o braço por alguns segundos.
Uma fístula sem problemas de entrada de sangue na veia esvaziará lentamente (em mais de 10 segundos).
Nas fístulas que estão com estreitamentos na parte inicial – a anastomose arteriovenosa – após poucos segundos, a veia começa a murchar como esta do vídeo ao lado.
Se isso acontece na sua fístula, agende logo uma consulta de vigilância, e muito provavelmente você precisará de uma angioplastia de manutenção da fístula.
Uma fístula sem problemas não deve apresentar partes endurecidas.
Esses locais mais firmes são comumente chamados de trombos (ou coágulos), mas nem sempre há coágulos nesses locais.
Podem ocorrer infiltrações na veia da fístula em torno dela, que o próprio organismo pode cicatrizar naturalmente em poucos dias.
Mas, se a parte endurecida se mostrar resistente e não for melhorando com o passar dos dias, pode estar se formando um estreitamento no local, que levará a problemas futuros na fístula.

Caso o local do “trombo” permaneça estável – sem sinais. de melhora – por mais de 2 semanas, ou apresente sinais de piora, agende logo uma consulta de vigilância.
Os curativos colocados logo após a retirada das agulhas de diálise devem receber toda a atenção de quem faz hemodiálise.
Eles devem ser mantidos no local por 1 a 2 horas, e deve-se evitar molhá-los nesse período.

Em fístulas sem problemas, e em pessoas que não usam medicações que interfiram na coagulação do sangue, a retirada dos curativos depois desse tempo de 1 a 2 horas não deve provocar nenhum sangramento.
Em pessoas que usam medicações anticoagulantes, pode até escorrer uma pequena gota de sangue.
Caso ocorra recorrentemente o sangramento – tipo um fio de sangue – quando se retira o curativo, agende logo uma consulta de vigilância.
O desenvolvimento de varizes no ombro, pescoço ou no peito do lado que está a fístula é um sinal evidente de que alguma obstrução ou estreitamento está se desenvolvendo nas veias dentro do tórax.

Esses estreitamentos repercutirão na fístula podendo causar inchaço no braço, degeneração da veia da fístula com a formação de aneurismas (aqueles calombos incômodos esteticamente), sangramentos prolongados após as sessões de diálise, e até perda da fístula.
Quanto mais precocemente intervirmos, dilatando os estreitamentos nestas veias do tórax, menos prejuízo a fístula sofrerá.
NUNCA ARRANQUE AS CROSTAS que venham a surgir na sua fístula.
A formação de crostas é um aviso de que algo não está indo bem na pele que está sobre a fístula – pode ser uma infecção no local ou um sinal indireto de que um estreitamento está prejudicando a circulação e aumentando a pressão na fístula.

Independentemente da causa, as crostas podem estar grudadas na veia, e o ato de arrancá-las pode rasgar a veia da fístula e causar um sangramento fatal.
Portanto, se surgirem crostas na sua fístula, mostre logo à equipe da clínica de diálise e agende uma consulta para avaliação da fístula.
Não é normal sentir dores na fístula durante a sessão de hemodiálise.
A causa mais comum de dor na veia da fístula, próximo ao local das agulhas, durante a sessão, é o surgimento de infiltrações. Essas infiltrações são facilmente visíveis, pois causam arroxeamento e aumento do volume do local.
Quando surge uma dor persistente ao longo da veia, e não há sinais de infiltração, pode ser que exista um estreitamento na veia em algum ponto entre as agulhas e o ombro. Esse estreitamento normalmente só é detectado por ultrassom Doppler (também chamado de duplex-scan).
Portanto, antecipe sua consulta de vigilância caso surjam dores frequentes ao longo da veia ou do braço durante as sessões de diálise.

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